
Convencida de que a beleza tem sido uma busca universal
e uma preocupação essencial desde a origem da humanidade,
a Fundação L’Oréal decidiu reunir conhecimentos e estimular o surgimento
de novas perspectivas para a beleza através das ciências sociais,
desmitificando a ideia de que o tema está relacionado à futilidade.
Dividida em cinco volumes – Pré-história, Antiguidade, Idade Clássica,
Modernidade e Futuro, a coleção 100.000 Anos de Beleza é o primeiro
trabalho a explorar o assunto com uma abordagem tão ampla de tempo
e espaço. A tese central da publicação afirma que a busca pela beleza,
por meio do corpo ideal, é um movimento contínuo desde a Pré-história.
O modelo do corpo, o uso de cores, penteados e adereços,
a nudez e as roupas definem a identidade cultural das sociedades
e o seu status social.

Publicado pela editora francesa Gallimard, o livro é um esforço editorial
que reúne 300 autores de 35 nacionalidades diferentes, que oferecem
uma abordagem multidisciplinar e internacional sob a ótica da Antropologia,
Arqueologia, Etnologia, Sociologia, Arte, Filosofia, Museologia e Psiquiatria.
“O Grupo L’Oréal acredita que a beleza é a expressão de um sonho
universal de bem-estar e harmonia interior. Ela permite que as pessoas
demonstrem suas personalidades e sejam seguras em suas relações.
A coleção 100.000 Anos de Beleza consagra essa questão fundamental
do significado de beleza, destacando suas implicações psicológicas
e sociais desde as mais remotas civilizações”, resume Simone Nogueira,
diretora de comunicação da L’Oréal Brasil.
Um dos destaques entre os autores é Francisco Ortega,
espanhol que vive no Brasil há 14 anos. Doutor em filosofia pela Universidade
de Bielefeld, na Alemanha, professor adjunto do Instituto de Medicina Social
da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e pesquisador do CNPq,
Ortega é autor de seis livros e diversos artigos no Brasil,
entre eles “O corpo incerto: corporeidade, tecnologias médicas e cultura
contemporânea”.

Na coleção, Ortega aponta a teoria do Bioaceticismo, que considera
as modificações corporais na cultura contemporânea como efeito de um
tema central aliado ao enfraquecimento dos vínculos sociais do indivíduo.
Segundo o pesquisador, o investimento no corpo representa para a pessoa
uma verdade sobre si que a sociedade não mais lhe fornece; um tipo
de ‘assinatura de si’, pela qual ela se afirma na identidade escolhida.
Cada volume da coleção 100.000 Years of Beauty contém de 60 a 100 artigos
e foi editado sob a direção científica de um especialista francês no período:
o paleoantropólogo Pascal Picq (Pré-historia), o historiador e sociólogo
Georges Vigarello (Antiguidade e Idade Clássica), o historiador Marc Nouschi
(Modernidade), a etnóloga Elisabeth Azoulay, que também é responsável
pela direção editorial da publicação, e a filósofa Françoise Gaillard (O Futuro).
A obra, prefaciada por um ensaio do filósofo francês Michel Serres,
foi editada em inglês e francês.











